Pietro Kredhw'n III

A delusional illusionist with a constant frown on his brow

Description:
Bio:

Atormentado por obscuros e ancestrais débitos com os deuses, adquiridos por seu pai e avô falecidos, Pietro Kredhw’n III cresceu testemunhando a fragmentação de sua família. Seu avô, nascido no campo, migrou para a cidade e tornou-se um militar. Casado com uma sacerdotisa de Femi, teve vários filhos, mas só um, o homem mais velho, carregou seu nome. Pietro II, pai do PC, teve a chance de estudar e tornar-se um grande ilusionista, fazendo jus às expectativas de seu pai, mas não escapou à silenciosa e trágica censura materna por nunca conseguir sustentar seus casamentos, um com uma peasant (com quem teve Pietro III), um com uma nobre maga. A sensação de fracasso emocional era tão atormentadora para Pietro II que provocou episódios de violência e descontrole. O ilusionista finalmente se isolou em uma torre no meio da cidade e passou a viver espartanamente dedicando-se ao estudo da magia, sua grande paixão.

Criado pela mãe e o padrasto, Pietro III seguiu a vocação do pai e tornou-se ilusionista. Escreveu alguns artigos sobre “a paradoxal influência de Femi nos fantasmas sexuais e consequente comportamento desviante”, que foram aceitos com relativa indiferença, mas o fizeram estudar muito e se aprofundar nas minúcias das teorias ilusionistas. Depois do fracasso do segundo casamento do pai, foi morar com ele em sua torre, começou a entender que a tormenta do pai devia-se a um débito com Femi e presenciou a agonia final de Pietro II, morto prematuramente por atos insanos provocados por seus próprios fantasmas; convencido de que a família da segunda esposa o perseguia e conspirava contra ele, foi morto em plena rua ao atacar um bando de mercenários que achou terem sido contratados para matá-lo. Pietro III teve que deixar a torre, emaranhada nas disputas de herança que se seguiram à morte de seu pai e que ainda o atormentam, convocando-o ocasionalmente à presença do rei.

Tendo herdado o nome e a maldição do pai, Pietro III é um “herói” relutante e introspectivo, mais preocupado com sua salvação pessoal e a resolução do obscuro débito com Femi do que com questões maiores. Seu estudo do ilusionismo também relaciona-se principalmente com a tentativa de controlar seus próprios fantasmas, mas quando ameaçado aprendeu a dar aos inimigos um gostinho da tormenta e insanidade que ronda sua família. Depois de alguns relacionamentos amorosos que não resistiram ao quanto de sua energia Pietro III dedica a si próprio e ao controle de seus fantasmas, o rapaz agora tenta resolver a questão de forma mais objetiva e desafiadora: ele busca a própria Femi, no intuito de confrontá-la e demandar que as exigências que a deusa fez a seu pai e que agora faz a si sejam retiradas, pois irrealizáveis. Ele suspeita que isso envolverá algum grande sacrifício, talvez a retirada também de benesses insuspeitadas que Femi ou outros deuses sempre dedicaram aos Kredhw’n, mas está disposto a pagar o preço pela sua paz de espírito.

Ele desconfia que a grande heresia da família tenha a ver tanto com a infidelidade matrimonial quanto com uma incapacidade constitucional de amar: o avô era extremamente seco, estóico e racional, o pai o oposto, descontrolado e violento em suas paixões, ambos incapazes de se dedicar constante e afetuosamente a outrem… vendo isso tb em si próprio, Pietro III decidiu não ter filhos, quando resolveu contestar Femi. Está decidido a não perpetuar a maldição, mesmo que isso ponha fim à sua linhagem.

Pietro II, pai do PC, era um dos coordenadores da escola de ilusionismo em Maggia, e praticamente só saía da torre no fim da vida para ir lecionar. Frustrado por não conseguir desfazer suas tormentas e diminuir seu sofrimento pelo intelecto e pela vontade, começara a estudar alquimia e introduzira uma cadeira de ilusioquimia no Colégio, que foi muito mal-aceita e talvez tenha morrido com ele, ou pode estar sendo levada adiante por um de seus parcos admiradores entre os alunos. Dhex, diretor da escola, só tolerava o experimentalismo de Pietro II por ser seu amigo há tempos, e ter certa pena do velho, sabendo de seus sofrimentos. Por causa do interesse pela alquimia, Pietro II construira um laboratório em sua torre, e começara a experimentar na criação de “poções de desilusão”, que curariam, a longo prazo, um sujeito de suas delusões. Infelizmente quando conseguiu criar a primeira já estava delusional o suficiente para não mais se considerar atormentado por ilusões, e sim por motivos “reais”, portanto nunca tomou as poções que criou. Até hoje não se sabe o efeito das poções, pois este se dá a longo prazo, sendo a grande dúvida quais ilusões exatamente elas desfazem: se as do próprio indivíduo que toma (nesse caso teriam um interesse para os clérigos, proporcionando uma cura para o que se percebe como delírio) ou se elas desfazem as ilusões básicas que compõem a realidade partilhada, ou seja, os sonhos de Luz e Trevas. Mesmo Dhex reconhece que neste último caso as poções seriam muito perigosas, apesar de fantásticas, pois um sujeito tão iluminado a ponto de penetrar o véu da realidade sem ter ainda fortalecido sua própria vontade poderia simplesmente deixar de existir, desacreditando até a si próprio sem ter poder volitivo suficiente para imediatamente se recriar no vácuo em que se encontraria.

Pietro III nunca deu bola pra alquimia, sempre achou uma besteira do pai, e uma certa covardia, uma apelação a recursos materiais que é o equivalente a ceder às ilusões oníricas de Luz e Trevas, tentar ‘vencê-los em seu próprio jogo’, ao invés de pegar o touro pelo chifre e atravessá-las pela pura vontade e pela razão. Mas o rapaz não deixa de ser também um ilusionista meio esquisito (como o pai foi): ele não consegue manter o bom humor, por mais que relativize a “realidade” e saiba que é tudo ilusão, porque há tormentas oníricas (muito mais reais) que insistem em rondar sua família. Elas só podem ser tão resistentes aos seus esforços volitivos de dissolução justamente por serem oriundas de uma vontade superior: a de Femi, ele suspeita. Mas quando seus professores o olham com uma mistura de pena, incompreensão e perplexidade, Pietro III é assaltado por uma dúvida que de tão insuportável, logo é suprimida: “e se Femi não tiver nada a ver com isso e eu mesmo, como meu pai e meu avô, crie, a cada momento, tanto as expectativas quanto as tormentas que me assombram?”.

Pietro III nunca tinha se aventurado ou mesmo saido de Maggia, até que uma complicação com o inventário de seu pai o forçou a viajar até Moryn para pedir ajuda a um velho amigo de seu avô, Ofelius.

Pietro Kredhw'n III

Kragon edufrotaneto